Durmo contemplando o céu marinho, acordo com ele azulzinho. Não gosto de discursos, gosto mesmo é de poesia. Odeio conversas fiadas, mas adoro uma boa história contada.
MORTO
E no céu nenhuma estrela
nenhum cometa
somente nuvens
E na montanha nenhuma árvore
nenhum pássaro
somente pedra
E no mar nenhuma espuma
nenhum peixe
nenhuma sereia
somente sal
E nele nenhuma emoção
nenhum sangue
somente carne
Tudo opaco
sem cor
sem som
sem ar
tudo parado
degradado
fétido...
pútrido...
Somente ossos!
Que virarão pó...
FÊNIX
Amor que tortura
machuca
deixa dor
Amor impossível
corrido
sofrido
invisível
Amor escolhido
dividido
desfeito
todos os dias
Amor discreto
secreto
foi assim que eu quis
Amor imperfeito
refeito
sem jeito
infeliz
Amor que espera
que vela
à espera
de um dia feliz
Amor contrariado
desesperado
ávido
inválido
destruído
sem fim
RESISTÊNCIA
Sinto muito...
Continuo aqui...
criando
brincando
cativando amigos
inventando inimigos
daquele mesmo jeito
Continuo aqui...
Buscando algo novo
sem medo de ser feliz
confesso, nunca perdi
Continuo aqui...
brindando a noite
brigando com o dia
é genético – adoro o luar
Continuo assim:
vadio de mim
às vezes pesado
em teste
outras vezes leve
brando...
moleque...
Continuo assim:
Narciso!
em constante pecado
O que fazer?
Sou assim...
[inexato]
choro
sorrio
berro
rezo
Sou assim mesmo
incansável
alcançável
Continuo aqui...
contente
suficiente
feliz.
Sinto muito, Senhora,
em decepcioná-la
ainda não morri.
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