SERENIDADE




Mesmo com toda perplexidade
Continuo criança
Ainda vive em mim
O menino
O moleque
O guri
Mesmo com toda indignidade
Ainda há em mim esperança
Não sou velho
Não sou moço
Sou um ser que avança
E avançando
Cresço
Nada me espanta
Mesmo com toda maldade
Continuo a acreditar
Que há bondade
Mesmo com toda perplexidade
Continuo acreditando no homem
Sou um ser que avança
Segurando à mão de uma criança

Blecaute




Era tudo tão pequeno
tão mesquinho
que os meus olhos
cegaram-se
apagando em mim
a luz que outrora
existia.

Em cores



No céu - o azul
Na montanha - o verde
No chão - a mancha
vermelha
densa
de quem um dia teve vida.


Orgulho de ser





























Na combinação de seus antepassados
registrou-se em marca d´agua
quase  imperceptível – a cor d´alma.
que não era branca
que não era amarela
que não era parda
que não era vermelha
que não era preta
- era a mistura de todas elas
na transformação da raça.

Na combinação de seus antepassados
misturaram-se  os continentes
registrou-se em sua alma
a constituição genotípica de uma raça
tipicamente humana
tipicamente Brasileira
fenotipicamente  diferente.

Se não negrejado externamente
por dentro inteiramente negritude.

Sem se deixar negrume
sem se deixar negróide
e muito menos negrado
pois  em sua veia corre o sangue
de uma raça – a negra.

É proibido!


















Guardei a imagem
na lente de meu coração
Sou amorosamente
egoísta
Sou assim mesmo:
contrabandista de amores
clandestinos.


Clareza



















Quando abri os olhos
deparei-me
com tons azuis calmos
tingidos mansos
rajados no céu branco
de minha paz.

SEPARAÇÃO




Guerra

Batalhas miúdas

Corrosão

Implicâncias

Confusão

Não me encoste

Sai pra lá

Não te aturo

Estou mudo

Não quero falar

Guerra

Batalhas miúdas

Coração machucado

Alma ferida

Vida partida

Vidas esquecidas/ telepáticas

Silêncio

Não quero ouvir

Guerra

Batalhas estúpidas

Feridas expostas

Tudo errado/ pecado

Te mato

Eu morro

Não corro

Sai de mim

É o fim

De uma união.

¨ Tinha que ser preto ¨



Dizem que o branco e o preto estão na moda
eu não entendo nada de moda
mas sei, de certeza, que o preto não é moda
é verdade registrada
diplomada em Brasília.
Temos  Dito.






Frialdade





















Nas imagens sensuais coladas e desejadas
surgem às palavras: metáforas em prazeres
retidos - conflitos
Na imagem real - Frieza
Na virtualidade exposta - Beleza.
No conflito interno - Perversidade
Na aparência exposta - Bondade
Dualidade necessária a sua sobrevivência

APRENDIZ





corpo treme
Não tem jeito
Sou marinheiro
Neste mar
Num vai e vem
Eu navego
Não tem como enjoar
Meu corpo chora
Não tem jeito
Sou menino a brincar
Acelero
Fico lento
Tenho medo de parar
Meu corpo aquece
Não tem jeito
Sou homeotermo
Aprendendo a amar