Tudo calmo - parado
o céu que antes era negro,começa a se transformar num azul de metileno
Ouço, espaçadamente, carros deslizarem na pista molhada pelo orvalho da madrugada
tudo parado - calmo
O azul de metileno se desintegra manchando o espaço aéreo
E, lá longe, o galo insiste em anunciar que já é quase dia
Tudo...quase tudo imóvel
Percebo ruídos, zumbidos
sei lá...
Sinto minha respiração que ofega não me deixando no absoluto silêncio
já não mais importa
O céu começa a ser invadido pelos primeiros raios
Ouço vozes,conversas,risadas
São os boêmios chegando em plena madrugada de quinta
São os trabalhadores indo para mais um dia de labuta
E entre ruídos diversos
portas de aço rangendo de bares e padarias
contribuindo com a sinfonia do bom dia
E, para completar, os pássaros cantam em minha janela
e eu que já não tenho mais o silêncio absoluto
me viro e durmo.
Paulo Francisco