Durmo contemplando o céu marinho, acordo com ele azulzinho. Não gosto de discursos, gosto mesmo é de poesia. Odeio conversas fiadas, mas adoro uma boa história contada.
PRA VOCÊ
E esta paixão arrebatada
que deixa tudo em pedaço
que sangra a carne
que amputa os sentidos
que avassala
como flor em ventania
como folha carregada
pela corrente fria
E esta paixão que atraca
ocupa todo o cais
que deixa desnorteados
todos os sinais
E esta paixão telepática
que muito me agrada
que nos transporta
que nos transmuta
E esta paixão...
que não tem cara
que não tem toque
que não tem cheiro
que não tem voz
somente acordes teclados
formatados
numa tela luminescente
Recebo em minha ilha
uma mensagem
numa garrafa transparente
e digo sim
a pergunta referente.
NÉVOA
Preciso aprender ler o seu nome
sem estremecer - ter autocontrole
e não vacilar
Preciso aprender a sonhar com você
e não me desesperar
saber de sua existência
e não me culpar
Preciso discernir o que é irreal
e só querer o que não me faz mal
Ouço uma música ao longe
sinto sua respiração em minha cara
- é brisa perfumada que maltrata
Preciso descobrir um jeito
de materializar o imaginário
sair deste estremunhamento
e expurgar o inventário da solidão
sem estremecer - ter autocontrole
e não vacilar
Preciso aprender a sonhar com você
e não me desesperar
saber de sua existência
e não me culpar
Preciso discernir o que é irreal
e só querer o que não me faz mal
Ouço uma música ao longe
sinto sua respiração em minha cara
- é brisa perfumada que maltrata
Preciso descobrir um jeito
de materializar o imaginário
sair deste estremunhamento
e expurgar o inventário da solidão
ILUSÃO
Teimosa. Não quer parar,
flutua em desenhos invisíveis.
num vai e vem constante.
Não é bailarina
mas pensa que é.
E em vertiginosos rodopios
navega nos ares frios
numa tarde de outono
chega quase ao chão
Insiste
persiste
Luta contra a gravidade.
Ajudada pelo vento,
desenha novas formas
Não é dançarina
mas pensa que é
Vai, falsa bailarina!
navegue
flutue
dance
como se fosse
o que não é.
flutua em desenhos invisíveis.
num vai e vem constante.
Não é bailarina
mas pensa que é.
E em vertiginosos rodopios
navega nos ares frios
numa tarde de outono
chega quase ao chão
Insiste
persiste
Luta contra a gravidade.
Ajudada pelo vento,
desenha novas formas
Não é dançarina
mas pensa que é
Vai, falsa bailarina!
navegue
flutue
dance
como se fosse
o que não é.
OUSE
Não se esconda entre cobertas e pijama
Não fracione o seu querer – ele é inteiro
Não tenha medo de sorrir - ele é bonito
Não feche a janela – tem sol lá fora
Não pergunte: quem é? – abra logo a porta
Não estenda a mão – jogue-se sem medo
E se o seu outono está castanho demais por aí, pegue carona numa folha seca e venha com o vento – aqui, ele é colorido e tem abrigo.
DIVAGAÇÃO
Ah! se eu pudesse estender os meus braços
e, de um jeito mágico, eles chegassem até você.
Acariciar-te-ia todo o tempo suposto, meu amor!
A distância, somente ela, esta barreira invisível,
impede tal feito e, do meu jeito, vou te amando
por frases, por versos, por palavras codificadas.
Mato a vontade; revivo o meu dia e, quem sabe
numa manhã dessas, acordarei com você.
E nesta realidade improvável, quase absurda,
sentirei seus beijos, seus braços apertando
minha nuca e, eu, abrigado em teu colo-ninho,
tornar-me-ei menino sem medo de amar.
INTERAÇÃO
Pois é...
Tudo é tão complexo
coração aberto
que acelera/desacelera
taquicardia repentina
pele que arrepia
[alma desfalecida
por eternos segundos]
adrenalina pulsante
retina delirante
pura magia
numa lua de abril
Pois é...
Tudo está tão claro
exato
imediato
coração descoberto
pecado ao lado
céu enfeitado
por confetes coloridos
num tempo imaginário
[meu tempo]
num instante revelado
[meu instante]
e a força de meu peito no seu...
[transferência emocional]
calor vital
ardência/aderência
e a crença na existência
do poder
da telepatia
de saber você.
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