Durmo contemplando o céu marinho, acordo com ele azulzinho. Não gosto de discursos, gosto mesmo é de poesia. Odeio conversas fiadas, mas adoro uma boa história contada.
APAGÃO
Sentado na grama
lendo um livro
vendo o sol se pôr
simplesmente lagarteando
[penso em nós dois]
deitado no sofá
ouvindo Caetano
simplesmente bodeando
[penso em nós dois]
na fila do cinema
comendo pipoca
[penso em nós dois]
acabei apagado
chateado
chapado
neste feriado prolongado
porque não tinha nele nós dois
MEDIEVAL
Quero ser o motivo
de pensamentos febris
de desejos ardentes
quero ser o provocador
de tanto amor
de poemas delirantes
de canções inebriantes
quero ser o transformador
de tanta beleza
de palavras verdadeiras
quero ser chamado
de eterno
de namorado
quero ser o mocinho
da noiva
quero ser o guerreiro
da rainha
quero ser só seu
sem o medo
de ser seu súdito
juro
quero ser prisioneiro
deste amor
que ainda não é meu
GESTAÇÃO
Estou triste
Ninho vazio
Tá frio
Insisto
Estou à espera
Daquela menina
Secreta!
Estou triste
Definho
Como rio
Na seca
[Resisto]
À espera
Daquela menina
Secreta!
Estou triste
Ela não chega...
GUARDADOS
Em minha prateleira
tem estrelas - constelações
tem histórias - revoluções
Em minha prateleira
tem tempo
tem passado
possibilidades
esquecimentos
Em minha prateleira
alguns renegados
outros adorados
coisas perdidas
uma vida inteira
Em minha prateleira
tem de tudo
manhãs fugitivas
tardes macias
noites eternas
Em minha prateleira
tem até poeira.
PSEUDOSONETO
Não me culpe porque te amarei
Não lhe peço que me ame agora
Ainda não existo em sua memória
Em seu coração sempre estarei
Mesmo que ele não seja eterno
Que este amor seja sincero
Que tenha cheiro de flor do campo
Que seja tudo, que não seja santo
Não me culpe porque te amarei
E se um dia ele for embora
O amor que tanto lhe cantei
Não será sua, não será minha
A culpa do amor que definha
Pois em seu coração estarei
PERFEIÇÃO
Antes da lua
tem o sol
e entre eles
o céu
antes do mar
tem o rio
e entre eles
tem o lago
antes de mim
tem você
e entre nós
a paixão
nós dois
uma canção
e na canção
o nosso amor
EM MIM
(Para o meu afilhado Rogério)
Não sou diferente de ninguém
sou carne
sou osso
sou alma
rezo
praguejo
tenho os meus pecados
confesso
sou igual a todos vocês
rio
choro (ultimamente não)
vacilo
tenho medo
tenho febre
pego gripe
uma virose qualquer
não sou mais que ninguém
muito menos
menor que alguém
às vezes fico comigo
eu não ligo
não digo
o que não foi dito
sou assim
e o quê que tem?
não me calo
expresso
em grito
em versos
pro mundo
no fundo
do coração
se amo, declaro
se desamo, confesso
não engano ninguém
a não ser a mim mesmo...
NÃO ESTOU SÓ!
(Para os amigos do blogue cores e nomes)
Hoje acordei um tanto quanto
Não sei se choro
Não sei se me calo
Hoje eu acordei um tanto desconfiado
Não tinha ninguém ao meu lado
Não tinha nenhum recado
Então, decididamente, estou só
Um bom dia pra ler alguém
Quem?
A contista Valeria Soares
A cronista Michele Pupo
Quase uma artista
Não sei...
Acho que vou começar
Com Maria Rita e seus textos de amor
E continuar com as amigas Flores
Da vida
Com espinhos
Dos Alpes
Mas eu quero ficar aqui quietinho
Acho que Malu e seu cantinho
Cai bem – lá eu fico muito contente
Rosane!? Nem pensar!
Ela me esquenta
É fogueira em dia frio
Mulher que abrasa
O corpo da gente
Minha mente hiperativa
As vezes confusa
Viaja em diálogos poéticos
Ah! Meus devaneios
Em vidas silenciosas
Vou para o meu aconchego
No controvento da desinventora
Vou colocar no semanário:
Quero chocolate com pimenta
Mas antes vou Zambeziar com Graça
E entre retalhos e encantos
Chego a palavralida
Em sabor e história
Sinto perfume de laranjeira
Solto linhas
Nestes dias genéricos/ Intermediários
Quer saber!
Vou mesmo intertextualizar!
E depois da essência
Ler uma partitura
Falar pelo céu da minha boca
Ficar aqui na cova do urso
Entre cores e nomes
Porque dizem que a solidão até que me cai bem.
PLENO
Sonho
tenho vontade
de ir contigo
viajar bem alto
em montanhas
esculpidas pelas mãos
de Deus
navegar
em brumas macias
que um dia
serviu de cama
para querubins
desmanchar o arco íris
misturar suas cores
saborear o seu líquido
sorver o seu sentido
sem nenhuma dor
Quero
realizar as vontades
permitir a entrada
na fresta que ainda há
em meu peito
transformá-lo por inteiro
em seu leito de amor
sem o medo de um dia
perdê-lo para outro
e quando isto acontecer
vou aumentar os rios
transbordar seus leitos
carregar comigo
a mágoa de um amor
RÉU CONFESSO
Quero fazer versos que falem de amor
Que eu possa escrever o teu nome
Oferecer-te a lua e as estrelas azuis
Mostrar-te o meu coração em dor
Quero fazer-te versos tristes
Declarar-te arrependimento
Quando partir sem te dizer adeus
Ah meu amor quem sabe um dia
Tu me libertas desta agonia
Que prende meu coração ateu
Quero declarar-me culpado
De todos os atos impensados
De toda a angústia adquirida
Em minha alma perdida
Quero, meu amor, somente quero
Como réu confesso o seu perdão
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