Veneno






Na ponta da esferográfica
há a tinta que grafara
as histórias tortas
em metáforas
perdidas e mortas.
Nas palavras, havia o veneno
que manchara
de negro
a  língua ferina
da moça sem nome.

Soma






Descolam-se os corpos
arquejados
molhados
desabados
Em pleno sorriso
repete o feito elíptico
em segredos.

Bignoniáceas





Verde respingado
de amarelo e roxo
Mata brotando
mais uma idade
- madeira forte
- madeira útil
Nacionalidade.

Invernal




E no finalzinho de tudo
ele se vai
enfraquecido
dando passagem
a ela – a prima
Vera.

Ipês





A seta indicava o caminho
entre os ipês
brancos
amarelos
e roxos
Chão coberto por flores
tapete colorido
por onde passaram
os meus pés
e a minha alma.
Segui à beira do caminho
num silêncio sem fim.








(Hoje, dia 21 de setembro, é o dia mundial da árvore. Como não é feriado, poucos comemoram - uma pena!)

Fogo



Tarde ardente

corpo ardido

doído

e contente.

Sereno e Sereia




(Para Catia Bosso)

Quarta-leve
nas mãos
e garganta
do pesado
jazzístico
Ed.
Ed. Motta.
Quarta-boa
de chopes
claro e escuro
Do outro lado
a poetisa
brinda com taça
de vinho
a poesia da vida.
Quarta-mágica
na voz do cantor
Quarta-amada
nas palavras da poeta
Catita..