Entrega


Se não há mais fôlego, se não há mais forças, então não corra, renda-se aos meus braços, aos meus abraços e deixe acontecer.
Façamos realidade os nossos sonhos secretos e indiscretos. Respiremos o mesmo ar. Cheguemos de mansinho, façamos um ninho em nossos corações. Vamos ler, na rede da varanda, em braile, as nossas confissões.
Se não há mais concentração, desligue-se então, jogue tudo pro alto, ouçamos as nossas vontades e pensemos depois. Não, não deixe escapar o que temos de mais bonito - este desejo que transcende, que abrasa, derrete os nossos corpos e nos leva para os céus.
Se não há mais o que temer, feche os olhos e deixe o vento trazer-te até mim. Confesse aos pássaros, declare-se a andorinha, desnude-se ao sol, banhe-se para a lua. Pinte as unhas de vermelho, pinte a boca de vermelho, saia do chão e venha através das nuvens, venha acompanhada de querubins. Cante-me uma canção apaixonada, diga-me palavras de amor.
 Consagre a nossa união. Deixe a noite clarear os nossos destinos.
Aqui tem montanhas, estrelas rendeiras e a lua da cor do coração. Tomemos na mesma taça o tinto da paixão. 
Se não há duvidas, se não há mentiras, então venha, venha para os meus braços, receba meus abraços, troquemos afagos – sem recatos - tudo isto será muito bom.
Mesmo que seja vertiginoso todo esse querer, transformemo-los no bem, transformemo-los em flor, transformemo-los em cores. Façamos versos, façamos canções. Cantemos pra lua, pro céu, pras estrelas.  Transformemo-los em realidade.
Desarme-se e venha, meu amor.
Venha para os meus braços, para os meus abraços, quero te fazer feliz.
Ah, se esse amor represado rompesse, e invadisse os nossos quereres, nos encharcando de ardor.
Ah, meu amor, como eu quero fazer-te minha, como eu quero alojar-te em meu coração.
Ah, como quero fenecer em teus braços depois de uma noite de amor.