DESPEDIDA

O pátio vazio
Gramado não pisado
Silêncio quase normal
Se não fosse o vento
Na janela do castelo
Convidando-me a sair
E, eu, o último fantasma
Insisto em ficar.
Não vou embora antes de cantar
a beleza deste lugar.

TREMOR

Rajada de vento

que arrepia

seca o corpo

em tempestade

trovões

relâmpagos

flashs

corpo-terremoto

corpo-agonia

corpo- majestade

rajada de vento

que esquenta

caminha pelo corpo

Calmaria...

Prazer



Ficamos naquela grama verde tomando banho de sol. Banho de sol, sozinhos, juntinhos, no parque vazio de gente e cheio de amor. Tomamos banho de sol feito aborígenes naquela tarde quente invernal - cheia de sol, sal e calor.

Prazer II




No adormecer da tarde
espero o céu marinho
E feito menino
fico aqui, quietinho,
a me balançar
Gosto desta varanda,
gosto desta rede
gosto deste verde
pra namorar

A RESPOSTA CERTA




Basta uma única palavra
Não quero um texto
Rejeito o terço
Outro jeito
Nem pensar
Basta uma palavra
E nada mais
Sem discurso
Juro
Não vou aguentar
Basta dizer-me
A palavra necessária
Exata
Uma palavra basta
E mais nada
Basta somente a magia
De um sim.

BURRICE




Nem mesmo o cheiro das flores
Os cantos dos pássaros
A luz da lua
O vento em forma de brisa
As batidas fortes em meu coração
As lembranças eternas
Nem mesmo tudo isto junto
Faria ressuscitar aquele amor
Pois sou teimoso
Hei de morrer assim

CANÇÃO DE AMOR





Meu coração estava acinzentado
Desacelerado
Revés
Por isso fugi daqui
Desapareci
Embarquei sem rumo
Fui à procura de mim
Caminhei até os confins
E lá permaneci
Descobrindo afinal
Que não é o fim
E voltei
Pra amar você
Mais uma vez
Meu coração está apaixonado
Acelerado
[Vicissitude]
Por isso estou aqui
Apareci
Desembarquei
à procura de ti.

FRAGMENTOS




Não sei mais quem sou
Estou perdido em mim
Navego em ares alheios
Busco o brilho do sol
Vago em estradas encharcadas
Caminho em mares mortos
E só encontro pedaços
Amassados
Desbotados
Esquecidos
Estou em busca
Procuro por mim
Não sei se me encontrarei
Não conheço o caminho
Nem o encanto que recupere
O amor que se perdeu

VÍCIO





Eu não posso deixá-la agora
Meu sangue não foi depurado
Ainda continuo viciado
Dependente de você
E mesmo que te tirasse
De minhas veias
Precisaria mais de uma vida
Pra que saísse de minha alma
Sou viciado
Dependente
De seu amor
E sem ele
Só sentiria dor
Ficaria doente
Descontente
Desassossegado
Magoado
Retardado
Sem norte
Seria a morte
Para mim
Então, não me mande embora
Imploro:
Não é o fim.

INVASORA





















Chega sem pedir licença
atrevida se instala de mansinho
Numa corda bamba
- eu me equilibro
Invasora de minha alma
Ferina - ela sorrir
Nasce-me uma fogueira
que queima, queima
queima alheia a mim.