ALTER EGO






















Ele anda por aí
sem destino
feito um menino
criando formas
e situações
vendo fantasmas
e ilusões
Ele anda por aí
destino de menino
vagueando em outros
mundos
cigano
Ele anda por aí
coração mercador
sem amor
sem rancor
sem rumo
vagabundo
dono de mim

MUDANÇA DE TEMPO


















[O céu anunciou dia bom.]
Enquanto nuvens brincam
e se desfazem em bailarinas
e o sol transforma tudo em ouro
Ele, como um tolo, vela
em calabouços por um amor
que não existe mais...

[O céu anunciou dia instável.]
E as nuvens, agora, tristes
por não terem sido notadas
correm desesperadas
e se desfazem em lágrimas
crescem os rios
nada o satisfaz...

[O céu anunciou estrelas.]
E ele, guiados por elas,
encontrou a lua globosa.
e o peito lactocolorido
já não sofreu mais...

[o céu anuncia dia estável e muita paz]

PARTIDA
















Voo alçado - alçapão vazio
Mar agitado - vento frio
Amor acabado - coração vencido
Brilho no olhar - desejo permitido
Quando tudo vai mal - o inferno é vital
Sem nau - vou de trem
E tudo bem, meu bem.

ATRAVÉS




















Trans
passo

Trans
Firo

Trans
gênico

Trans
porto

Trans
a
ção

Trans
mito

Trans
ato

Trans
trans

Trans
bordo

Trans
cendo

Trans
corro

Trans
fixo

Trans
fundo

Trans
ido

Trans
grido

Trans
verso

Transformação da palavra

NOTÍVAGO


















Minha noite tem luar
Meu dia/meio-dia
Minha tarde tem esperança
Ah!Que passe logo o dia
Sou da noite - sou noturno
Mesmo que seja de dia.

FINAL FELIZ


















O menino, com suas cores nas mãos, viaja até a imensidão

à procura da menina que queria o sol e se perdeu

O menino mergulhou até o fim de tudo...

Ele foi a procura dela que queria o brilho do sol

Mas ele, que a queria, foi até o fim a sua procura

Mergulhou em esperança com as cores em suas mãos

E uma explosão de cores fez chover na imensidão

E o menino a resgatou da escuridão

E os dois em cantigas flutuaram em névoas de cores

retornando à clar[a]idade.

E eles nunca mais se perderam

Nunca mais...

PACÍFICO




















Sob meus pés - marrom

no horizonte - amarelo

sobre mim - azul

ao meu lado – verde a florir

na lembrança - esmeralda

na esperança – vontade

todas as cores de pele

pele: furta – cor.

E no peito - ton-sur-ton

o mesmo som em tudo.

APAGAMENTO






















Eu, que nada sei, vivo a estranheza de não mais sentir. Estou cego e dormente. Já não percebo como antes. Não há lua no céu. Não há ondas no mar. Não há... não há. A fotografia está se apagando como se não quisesse mais existir. Tempo de desesperança; tempo de desencontro. Eu que nada sei, fico encarcerado à espera de um raio amarelo que me leve ao começo de tudo. Já não sei quem sou. Perdido, fico num deserto de emoções. Eu que nada sei, vivo a estranheza de nós dois.

.
.
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PENUMBRA






















A estranheza fez-lhe reclusa de seus pensamentos.
Ela sofre em silêncio o que deveria ser gritado.
Não se apavore, um dia chega a contento,
o que não tem no momento
- devora-te em sombras e lamentos.
.
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VOCÊ





















Meus olhos te seguem
minha boca te agrada
meu peito te guarda
meu coração te embala
minhas artérias te regam
e minha alma te ama.