RECEIO...

















Tenho medo do vento
tenho medo de voar
não sei pra onde
ele pode me levar
não sou tão leve
para ser levado
¨o vento voa
ele pode voar¨
eu, mais pesado que o ar
permaneço olhando
caminhando
invejando
quem pode chegar lá
tenho medo do vento
não tenho asas
não sei voar...

NOBREZA






















Ela
dança
entre nuvens
rodopia sobre a lua
leveza sem par
pés descalços
em areia desértica
apenas aguenta
o ar
efeito raro
rara beleza
pura nobreza
sofre calada
a ausência existente
na madrugada

é de manhã...

desejo inventado
corpo gelado
querendo esquentar
e quando a porta range
o café está posto
o corpo um desgosto
um rosto
querendo chorar
nobre beleza
coisa rara
nobreza... sem par

CRESCENDO






























Eu voava
dava pirueta
tirava fininho
da a água do rio
ou era do mar?
sei lá!
vazava as nuvens
e não me molhava
andava no ar
ficava parado
espiava lá embaixo
tudo miudoinho
de repente um barulho
me desequilibrei
comecei a cair
caia...
caia...
c
a
i
i
i
a
a
a

.
.
.
.
e ai acordei!
que droga! estava sonhando...
vou dormir outra vez.

PRESENÇA



Hoje eu sonhei
não me lembro o que foi
tentei...tentei... mas não consegui
tenho certeza de que era bonito
Acho que foi com flores, possivelmente um jardim
pois quando acordei não me lembrava do sonho
mas senti o cheiro de jasmim
Acho que sonhei com você!

Paulo Francisco

LEVEZA


















Acordei!
Há muito que não acordo assim
um tanto quanto leve
sorriso na cara
lavada
safada
de quem não quer nada
acordei sem preguiça
só querendo espreguiçar
esticar o corpo
deixá-lo durinho
para depois relaxar
acordei assim
sem querer ler o jornal
um cafezinho quentinho
para depois levantar
acordei!
Há muito tempo que não acordo assim...

BOBO

























Hoje, o dia está tão bonito
dizem que está frio
mas eu não sinto não
dizem que está nublado
mas eu não vejo não
hoje, o dia foi tão bonito
Disseram-me que foi muito quente
mas eu não senti não
que estava muito abafado
mas eu nem percebi!
estão dizendo por ai
que eu ando meio abobado
será?
Eu não acho não

CORES














Todas as cores do mundo
todas as gamas de cores
azul, vermelho, amarelo
verde, amarelo, azul
todas as misturas possíveis
cores paridas
de dentro de nós
e nessa orgia de cores
os sabores
que as cores
nos trazem
cores nascidas
pra nos fazer felizes
cores
pra vida
da vida
esquecidas dentro de nós
e quando não temos mais a cor
uma mortalha incolor
nos cobre
é o fim.

PROCURA-SE



Tudo é verdade
Nada é brincadeira
Venho caminhando
O tênis está ruim

Tudo é doideira
Nada é de verdade
Ando a procura
De um coração

Dou uma canseira
Na minha vontade
Tênis malhado
Fixado ao chão

Estou de bobeira
Esperando a metade
Metade de mim.

ESPELHO



Quando penso, deixo tudo acontecer
Vem em mim, euforia assistida
Não sou noite
não sou dia
A penumbra me assusta
A claridade me cega
Quando paro, deixo tudo seguir
Paira em mim a depressão escondida
a alegria inexiste, a felicidade efêmera
Quando acordo, descubro a cinética
percebo de maneira infantil a pureza da vida
Sofro quando cresço, choro quando penso
E agora diante de mim, fico calado
Permaneço hipnotizado a frente do que desconheço
Sou triste, sou alegre
Simplesmente sou o que devo ser
Um menino?
Uma canção?
Um louco?
Talvez um boçal!
Boçal como você
Como o nosso querer
Desejo impossível
Pensamento inesquecível
Vontade adormecida
Quando penso, deixo aparecer:
a vontade
o desejo
a maldade
a perversidade
de um homem
de um velho
de um ser

Paulo Francisco

DOR






















O ácido corrói internamente aquele ser
Agudas dores transmitem o seu sofrer
Dores incubadas, guardadas a sete chaves
explodem em gemidos finos
intercalados com longos suspiros
O ácido consome lentamente a parede de um querer

Aliviadas lágrimas rolam em curvas
Entre as marcas de um tempo
Já não grita
Já não chora
Já não suspira.
Porque estás morta.