Eu sei...




No texto anterior eu citei vários poetas, entre eles, Vinicius. Poeta que canta o amor. O meu primeiro contato com as obras dele não foi pelos livros, foi pelas canções. Depois, muito depois, foi que eu li os seus textos e a cada poema lido, um encantamento. O barato de tudo, ainda moleque, era saber que o camarada era o CARA - Diplomata e Poeta.
Quando  ouvi pela primeira vez a canção ¨Eu sei que vou te amar¨,  achei que um dia a cantaria ou a recitaria baixinho no ouvido de uma mulher amada. Cantei e recitei várias músicas e poemas por aí, mas nunca a canção do poetinha.
Nunca recitei um poema meu em público, os meus, eu os escrevo. Mas leio textos dos meus favoritos, principalmente para os adolescentes. Já li textos, para esses eventos patrocinados por escolas públicas, até mesmo, de alguns blogueiros que sigo. Acho legal mostrar para a galera que computador é mais que jogos, face e site de sacanagem. Eu sei que é duro competir com eles, mas faço a minha parte.
Eu vivo dizendo que cantei aos ouvidos femininos. Mas nunca disse ou se disse não me lembro, que já cantaram para mim. Foi por causa da canção cantada baixinho, sussurrante em minha orelha, que passei a prestar mais atenção nas letras de Roberto e Erasmo.
Ainda estava no primeiro ano do ensino médio, naquela época chamado de científico, quando conheci uma menina chamada Rosália e passamos a namorar somente às quartas-feiras depois da aula - o motivo vale outra crônica. E foi na mesa de um bar, junto a galera da cerveja, que ela, a namorada-escolar, cantou ¨Olha¨ na minha orelha. Pronto, alguém, um dia, cantou uma canção romântica para mim. Fiquei todo bobo e arrepiado.
Eu não sei se cantaria de novo para uma mulher. A única coisa que eu sei é que não cantaria a música de Vinicius, mencionada no texto. Esta,  já cantei. E não foi para uma mulher, foi para o meu maior amor.  Cantei esta canção para o João Gabriel. Cantei quando ele estava em meus braços, dormindo como um anjo; cantei sabendo que ele era um novo amor surgido em minha vida e pra sempre; cantei por amá-lo incondicionalmente. Cantei, canto e cantarei por todo o sempre.
Eu sei que vou te amar por toda minha vida, João Gabriel, meu filho.

Alma lavada




A chuva chegou com a tarde
Chegou molhando a roseira
Chegou baixando a poeira
Chegou lavando a ladeira
Ela veio trazendo-me saudades
Trazendo-me lembranças
Espalhando-me vontades
A chuva cortinou a janela,
 chegou com a tarde
- deixando-a mais bela
Ela despertou-me a curiosidade
Umedeceu o meu solo firme
Refrescou-me a pele tenra
A chuva chegou em nuvens cinzas
cortinou  minha janela
Fechou-me o dia
trouxe-me a noite
fechou-me os olhos
e me fez criança.

FACE OCULTA


Do outro lado da lua

tenho um colar de estrelas

tapete de nuvens

sonho de chuva

Do outro lado do sol

tenho um arco de cores

montanhas de sabores

um ramalhete em coração

Do outro lado

tenho meus amores

Poder





Ainda posso ver no céu estrelas cadentes.Ainda posso ouvir falar sobre o Índio. E em minha oca, ainda posso, espreguiçar-me como homem-branco. Ainda posso sentir a brisa noturna e de minha janela, convidar a lua a brincar comigo.
Ainda posso ser bandido ou mocinho, criador ou criatura.
Ainda posso chorar baixinho.
Ainda posso ser menino.
Ainda posso... ainda posso.

Fim (partido)


Não foi preciso desmontar nada
bastou entrar no vazio
no vazio da sala
no vazio do quarto
no vazio da cama
Não foi preciso dividir nada
bastou doar tudo
doou os móveis
doou os quadros
doou os retratos
Não foi preciso fechar a porta
bastou encostá-la
não tinha nada pra ser roubado
tudo foi levado
só lhe restou o que ela não queria
o seu amor partido



Alquimia


O meu céu fragmenta cores
branco
azul
marinho
prata
Mas quando você chega
ele se transforma
em ouro
reluz o meu caminho
aquece meu cantinho
Ele é assim mutável
só permanecendo você.
O meu céu esbanja sabores
Morango com chantilly
Coquetel com mel
Mas quando você chega
ele se transforma
em salada
de frutas
me lambuza por inteiro.
E o meu céu de todas as cores, de todos os sabores, se transforma em fogueteiro, quando tem você
Explosão de amor num céu furta-cor.

FRIAGEM



Neste inverno outonal
[nem tão molhado nem tão seco]
escondo-me no sol matutino
Espanto a tremedeira
lubrifico as dobradiças
adquiro energia
[Labutar é preciso]
Sigo em primeira
pra minha outra vida
- vida de terceira
em plena segunda- feira
quem diria!
Acordei com estrelas e já era dia.
Neste amarfanhado de gente
tudo dormente que nem sentem
os dementes/que batem os dentes/em total agonia
Tem sol que esquenta a calçada e o corpo
sai fumaça dos bueiros e das narinas
somos dragões apagados neste instante medieval.
Sem castelos, sem donzelas, sem cavaleiros, nem rainhas
todos correm para a mesma rinha
batalha travada dia-a-dia em pequenos vagões.

ÊXTASE





















Não tenho voz
não tenho pernas
me falta o ar
Eu sei...
[Eu vou sofrer]
Eu tenho o céu
eu tenho as estrelas
e você... /não sei!
Mas o que importa
neste exato momento
é a descarga elétrica
desta emoção passageira
em que me perco
e por alguns segundos
sou feliz.
Desejo:
Quero te amar pra sempre
ter-te por inteira
e ficar sem rumo - me perder
ficar ao acaso - à sorte
navegar em espumas marinhas...
Neste mar de nós dois.
Penso:
Eu sei...
Eu vou sofrer.

Vou



Se você não vêm
Então,
eu atravesso tudo
viro o mundo
pego carona na asa da gaivota
viajo em brumas aquecidas.
E antes que a canção se transforme
antes que a noite acabe
antes que o sol me envelheça
antes que a folha seca voe
feito bailarina
antes que eu me perca na confusão do mundo
estarei aí  perto de você
assim:
abraçados em um.
Se você não vem
Então,
eu vou
perco os meus medos
viajo em balões coloridos
mergulho em águas profundas
apago a dor existente
sigo o voo da águia
piso em areias quentes
e antes que a lua durma
e as estrelas se apaguem
estarei aí
juntinho de você
assim:
abraçados em um.